Os quadros falam sem dizer. Falam dentro de nós, gritam, choram, fazem nos ouvir vozes que muitas vezes não queremos escutar. Mas em si, são emoldurados pelo silêncio inerente aos objetos, às pinturas. Um quadro não fala. Mas se fizermos uma ligação das vozes presentes nos quadros mudos, que nós ouvimos cada vez que apreciamos um obra de arte de significativo porte, e as molduras que cercam a tela, poderíamos dizer que são elas, as barras, as selas, as contendoras das vozes dessas inúmeras pinturas que imploram para dizer o que já está sendo dito. As molduras do silêncio. A prisão em torno dos homens, que vivem numa cela invisível, e não falam, não cantam, não sorriem. Talvez se removêssemos as grades que nos cercam, ou as molduras das pinturas, o silêncio seria quebrado e nossos gritos seriam mais do que uma breve, passageira, e interior inaudível loucura silenciosa. Assim, resolvemos remover as molduras do silêncios dos tantos quadros que contam a nossa história, e deixar eles falarem através de um interlocutor, que como qualquer outro, poderia escutar, outros silêncios, outras vozes, outras alegrias, outras dores.

terça-feira, 9 de junho de 2015

PRIÁPICOS CANINOS








HIMENEU TRAVESTIDO ASSISTINDO A UMA DANÇA EM HONRA A PRÍAPO
Nicolas Poussin




PRIÁPICOS CANINOS

As danças tão efêmeras, passantes passageiras do meu olhar descomunal, assim, caiam as nuvens por trás de vértebras celeradas, onde as mãos agora mais tímidas e recatas não encostavam a baixeza dos lábios cujos gostos proferidos, sorvidos e deliciados, foram desenvergonhados com as belezas dos simples toques genitais, hoje palavras de torpeza, quando não assumiam dentro de si o desejo vil e ardente pelo sempre agigantado falo com certeza sob o qual te falo, e assim, festejado meu falante ser e meu gozo esplendoroso, faço-me fértil gozador dos céticos e apáticos, cínicos e dramáticos, que sequer os lábios quentes de uma dama minha, a Deusa chamada Sífilis , e ainda por tudo minha  mulher será, pois dela farei rainha,  a pobre travestida  no metamórfico Himeneu, andrógino dos meus leitos nupciais, que é em si a própria Deusa da fertilidade dos imortais,  pois é das suas entranhas de onde sorvo a inspiração, e recomponho os fluídos para continuar esse circo de eterna procriação, palco dos enlouquecidos, ela minha amada Sífilis imortal, dos infantes e dos grandes ensurdecidos e mal compreendidos gênios, dos tempos que atravessam como flechas nossa memória dissipante , esse vis beberrões tiveram a ousadia de sequer beijar sua mão, ou a mão estender, covardes ensurdecidos, como se ela da lepra reminescente fosse, mas no meu eretíssimo cão de guarda babador não pensaram duas vezes para fazerem fila dando ao menos uma lambida, cachorras do mundo imperial, patrícios limpos imundos do regrado bacanal sagrado e "limpinho", quanto mais incomensurável, mais curiosidade e mais desejo, quando maior o tamanho mais se controla o servo e o tempo, o tempo de quantos terão passado pela catraca da minha cama em uma hora.... e o servo sobre o quanto é possível humano rebaixamento somente por uma semeadura do meu mortífero provimento, e portanto, como Rei eu sou , e enraivecido , assim como  Ines foi rainha, eu já com o falo entorpecido,  aquele não parará nunca de falar, prolixo e evasivo, fiz todos eles, no comum festival, aniversario de bacanal,  ajoelharem-se diante dos grandes lábios Hyminais  da Deusa Sifilis Himeneu, e um beijo apenas, que podia ser tudo menos superficial, e todo foram obrigados a entregarem de bandeja suas línguas salivantes, e dela a baba fértil líquida sorveram até engasgar, e como uma seiva bruta desprendida da mucosa, Sífilis, sempre aquosa, deixava seu melaço em todos os lábios assim tocados, sem secar um único instante apenas,  e eu agora mais feliz, assistia a tudo isso imperial, depois de novo, revigorado, com o falo exposto como se tivesse sido restaurado,  falava  para algum menino de olhar bem infantil para cuidado com os dentes ter, pois devias expandir mais tais maxilares apertados, para ter o falo escorregadio em seu lábio juvenil, sem arranhar a minha grande proeza.....o prepúcio crepuscular da infinita grandeza do meu ser!

"o falo falante das sementes germinais,
o falo falador,
o falor entorpecedor,
o falo rasgador e endurecido,
o que não dorme,
o que não descansa,
o que não falece,
não amolece mais,
come o néctar das rochosas amantes como um duro penedo,
o gigante Adasmastor,
um colosso transformado em rochedo,
deu-me seu colossal e corpulento membro como útil e penetrável recordação....
“aprecie com moderação”, ele dizia, já todo endurecido
o falo dos dias, das noites que não se acabam,
e dos dias que nascem novamente,
falantes e eloquentes,
falo permanente fissurado e obsessivo,
o falo compulsivo da imortalidade fálica do sentimento
de espremer de um único segundo o máximo da eternidade cabível numa gota de prazer,
e de uma única gota de esperma, o máximo de herdeiros de um profundo e milenar saber.."

Assim, mais relaxado,
Com o membro ainda
Enrijecido, porém por
ter parte no aspirante
Menino seu frutífero
Rio, em viril tremor 
seu brutal líquido 
Desaguado, sentado
Em seu trono, seu
Discurso proferiu:


“Falo enquanto durmo
durmo as vezes
geralmente acordado
falando berrante
pelos contornos
gritantes de tuas
musculares encarnações
falo mesmo duro
mesmo desavisado
esverdeado teu olhos
perseguidores, falo
sobre sonhando
acordado sobre
meus eróticos
sonhos de fálicos
amores penetrantes
falo descompensado
olhos de ereção
falo claramente
sobre os caminhos
insondáveis e irreversíveis
da tua inevitável perdição
os volantes e os lemes
os himens e os pênis
isso hoje aqui
não passa de
falaciosa celebração
dos falos endurecidos
falo gozador
pois adoro quando
falo assim todo gozado
com esse ar empertigado
um falo cortante no
meu bolo de aniversario
falo cuspidor,
não engulo mais veneno
de suas cobras visitantes
que mato a pau e cuspo
na cara a peçonha, pois
no meu sangue real
os bálsamos de todos os antídotos
fluem como rios fluídos
e virginais, que lindos
escapam para os oceanos
suas belas almas imortais
sou o mais devasso, porém
o mais intacto, irredutível!
se falo de mais é porque
sempre soube falar
obviamente depois de ter
apendido muito a escutar
e falo porque posso
sou o rei do priapismo
dos priápicos caninos
falo mesmo para surdos
carentes de falos duros e
penetrantes,
invejosos de um falo agudo,
pontudo, longo, grosso, ereto
e viril
um falo devastadoramente
inesquecível mesmo para
aquele que de olhos
fechados estava
pelo menos a metade
por longas e intermináveis
horas o sentiu
pergunte pra quem já o viu?
Foram tantos, que os rostos somem
Junto ao gozo fugaz
E evanescente como as nuvens
Coitados
Ficavam mancos
Quantos dias sem andar?
Sem falar bobagens
Emudecidos com o poder do falo
Incomensurável
Falo
praticamente sobre tudo
que um humano
ou Deus, como
preferirem me chamar
uma vez que me sinto
mais confortável
falando humanamente
com toda modéstia
espermática do
falo humanamente possível,
irrefreável,
falo do sofismo de quatro
do malabarismo das bolas
falo do milésimo último
instante que antecede o
silêncio absoluto antes
do precedente átimo do jorro
cósmico estrelar, o mundo paralisante
os músculos entregues
ao completo esquecimento
relaxamento e abstração
depois de dias
rochosos,
intermináveis,
falatórios
e sanatórios
falantes e falantes
meninos costurados
e arrebentados,
e virgens correndo
ou pro bordel
ou pro convento
não existe nada mais
além do ser humano
supremo falador
insaciável saciador
além de um certo cansaço
de ter que estar dias e dias
sempre falando, o tal falo sempre demais
para saciar a minha própria
natureza...

Chega uma hora que nem
um Deus suporta mais o barulho
do próprio trovão
e castra o próprio raio
o membro fálico
falador, do estridente trovador!
Castra com suas próprias unhas
de uma águia
de presságio
um presságio castrador
castra as mil e uma noites
de um romance eterno com
a eternidade, simplesmente
porque...cansou de foder
as mil e uma Sherazades,
que, sinceramente,
vistas de 4,
é sempre, 
Sempre a mesma....
Desprezível, Hipnótica, Irresistível
Vulgaridade!!!

Mas bebam meu senhores,
bebam até cairem, bebam 
ate gozar, até não conseguirem
engolir mais nada, 
e mudos não falarem!

Que não será hoje tal clamor,
Esse dia ainda não chegou,
Ainda faltam muitos príncipes
E princesas para o meu falo
Saciar, esse ereto falo que nunca
Cai... e como dizia um velho
Amigo meu:

-       Multipicai-vos

Multiplicai-vos

Multiplicai ! "



FC

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