Os quadros falam sem dizer. Falam dentro de nós, gritam, choram, fazem nos ouvir vozes que muitas vezes não queremos escutar. Mas em si, são emoldurados pelo silêncio inerente aos objetos, às pinturas. Um quadro não fala. Mas se fizermos uma ligação das vozes presentes nos quadros mudos, que nós ouvimos cada vez que apreciamos um obra de arte de significativo porte, e as molduras que cercam a tela, poderíamos dizer que são elas, as barras, as selas, as contendoras das vozes dessas inúmeras pinturas que imploram para dizer o que já está sendo dito. As molduras do silêncio. A prisão em torno dos homens, que vivem numa cela invisível, e não falam, não cantam, não sorriem. Talvez se removêssemos as grades que nos cercam, ou as molduras das pinturas, o silêncio seria quebrado e nossos gritos seriam mais do que uma breve, passageira, e interior inaudível loucura silenciosa. Assim, resolvemos remover as molduras do silêncios dos tantos quadros que contam a nossa história, e deixar eles falarem através de um interlocutor, que como qualquer outro, poderia escutar, outros silêncios, outras vozes, outras alegrias, outras dores.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

IRMÃO NOSSO

Irmão nosso que estais na Terra
Santificado sejam os nossos homens
e unificado seja o nosso reino
encontrada uma cordial vontade,
concórdia entre o Céu e a Terra
O Pão nosso de cada dia nos dai sempre
Nos ensinando a perdoar a cada
Ofensa recebida, sendo perdoados
A cada ofensa cometida, nos ajude
A sermos irmãos, de sangue, e de tentação
Quando juntos iremos pecar, sem
A culpa de nos punirmos, sem o remorso
De nos castigarmos, santo irmão nosso
De cada dia, transformai a culpa
Em crescimento, e a dor em evolução,
Meu pai, meu irmão, não nos faça
Chorar por lágrimas que não voltam mais,
Por dias sem redenção, irmão nosso
que estais na Terra, ensinai-nos
A glória do amanhecer, e o dia nascente
Em cada futuro gesto de nossa Mãe terrestre,
a alma de nosso ventre, a Terra de nossa
Semente, irmão nosso de cada dia,
Que estais na Terra, que vibrai conosco
Teu olhar sincero, e modesto, pronto
Para nos abraçar a cada tempo, quando
Nós sempre prontos a temer estamos,
Demonstrai o quanto de ti necessitamos,
Oh querido Irmão, choramos em vão sozinhos,
Nossas lágrimas de vãs fraquezas, ocas
Falsas fortalezas, em vão choramos o
Perecimento e o descontentamento
O medo e a vergonha de nos revelarmos
Mais fracos do que de fato parecermos ser
Irmão nosso que estais na Terra, nos
Ajudai a perceber que tudo isso é em vão,
Aproximando as nossas mãos
Tão presunçosas e indolentes, cujo tempo
Destroça os ossos e as pretensões
Desconcerta os ufanismos e entorta
Os dedos apontados como vis bastões
Irmão nosso que estais na Terra, com
O jubilo de teu olhar, nos ensinai a ser
Somente gentis homens, sem a empáfia
Das asas de Seres que nasceram com os pés
Nos Chão, irmão nosso, nos aterrai, e nossos
Pés no chão fincai, fincai, fincai...e nos
Mostrai a luz e a compaixão, humilde
Singelo ser, bendito é o fruto
de vosso ventre, assim seja, bendito
sois vós entre vossos irmãos,
neste vale de lágrimas, nasça
o sorriso em gestação,
irmão nosso que estais na Terra,
nos livrai de todo o mal!
Agora e para sempre.

Amém!!!


 FC



                                    JESUS CRISTO

                                         El Greco 

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