Os quadros falam sem dizer. Falam dentro de nós, gritam, choram, fazem nos ouvir vozes que muitas vezes não queremos escutar. Mas em si, são emoldurados pelo silêncio inerente aos objetos, às pinturas. Um quadro não fala. Mas se fizermos uma ligação das vozes presentes nos quadros mudos, que nós ouvimos cada vez que apreciamos um obra de arte de significativo porte, e as molduras que cercam a tela, poderíamos dizer que são elas, as barras, as selas, as contendoras das vozes dessas inúmeras pinturas que imploram para dizer o que já está sendo dito. As molduras do silêncio. A prisão em torno dos homens, que vivem numa cela invisível, e não falam, não cantam, não sorriem. Talvez se removêssemos as grades que nos cercam, ou as molduras das pinturas, o silêncio seria quebrado e nossos gritos seriam mais do que uma breve, passageira, e interior inaudível loucura silenciosa. Assim, resolvemos remover as molduras do silêncios dos tantos quadros que contam a nossa história, e deixar eles falarem através de um interlocutor, que como qualquer outro, poderia escutar, outros silêncios, outras vozes, outras alegrias, outras dores.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O ARREPENDIMENTO E O TEMPO

Memórias não voltam simplesmente,
A existirem fora de nós,
O passado trazido está morto,
E só está vivo dentro,
Profundo dos pensamentos nossos,
Tao velados, e inquietos, é lá
Depois das Tordesilhas do infinito,
É que mora esse Passado, e o tempo,
Que já passou, e nunca mais, nunca
Mais voltou....talvez ele esteja mesmo lá...
Numa cabana no meio da lua, num sorriso
Branco e lunar....

Talvez nos perdemos num saber
Sem consciência das coisas limitantes,
E dos fatos ilimitáveis existentes ao redor,
Talvez seja mesmo atordoante,
Viver lacrimejando segundos e instantes,
Viver morrendo sem saber sobre o futuro
Escolhendo sempre, deixando um mundo inteiro
Para trás... Talvez temos que nos conformar
Como tudo aquilo que nunca vamos viver
No mundo e nos outros, como todos aqueles que
Nunca iremos amar...temos que nos conformar  
Com a monocórdia voz do tempo, de um tempo
Que não volta mais, em anos que não são iguais,
Nunca, nunca serão iguais...
Jamais

Apesar de ainda ver, todos os dias, os mesmos
Olhos, o mesmo amanhecer quando surge
O mesmo sol, em outro tempo, talvez por
Isso penso ser igual aquele inapreensível
Instante da Vida, talvez isso aplaque minha dor,
e o meu Sofrimento, no deserto que vivo dentro de mim
Um deserto onde o tempo é o passado de areia
E formigas são os sonhos do perecimento
E o que somos hoje tal qual vento no rosto
Liso e sem medo, tal qual estrela viva no céu 
Desconcertado, elevado sobre nós, 
Humanos do Perecimento,
É justamente o que teríamos sido mesmo se não
Tivéssemos tido mais tempo...para sorrir,
Para brincar, para imitar as coisas mais bobas
Do Universo....um palhaço colorido, assoprando
Bolas de sabão que não duram um milésimo de
Segundo.... mas trazem uma memória tao mágica,
Que por um minuto, voltamos a crer que de
Verdade podemos mudar o mundo!

Para onde vamos como todo esse conhecimento,
Se sequer o tempo podemos fazer voltar?
Sequer os erros eternos erros, podemos
Apagar? Os mesmo erros de todos os tempos,
As mesmas covas no quintal, o mesmo sangue
Tingindo os rios...os mesmos rostos na memória

Para onde vamos errantes sem saber
De nada sobre o que deveríamos levar,
Quando penso numa viagem sem volta,
Num mundo assim sem tempo, penso o que colocar
Na minha pequena valise, modesta mala de mão,
Onde não há espaço, não há lugar para o supérfluo
Penso no que levar?

Cabem as coisa mais importantes
Da vida numa modesta mala de mão?

Parto para viver além do tempo, num lugar onde os
Fantasmas do mundo, aqueles que vivem
Dentro, não possam nos tocar, um lugar
Onde os minutos degolados de um relógio
No pulso costurado, não possa mais me matar...
Aos poucos, em silêncio, sem parar...
Morrendo-se de tempo

-       =Desculpe meu senhor, quem te matou?
-       =Foi o Tempo!
-       =Como assim , que Tempo?
-       =O nosso Tempo, o Tempo de todos nós!
-       =Mas assim, tão friamente, sem mais nem menos?
-       =Não, eu fui atropelado por ele...
-       =Atropelado pelo Tempo?
-       =Sim, quando vi já tinha passado as sirenes do socorro!
-       =Meus pêsames Senhor!!!


Penso num lugar onde relógios seriam como flores
De metal, ou surrealistas esculturas, sem sentido
Onde o tempo de todo o mundo se tornasse
Apenas uma memória distante e fugaz

Aquelas que esquecemos,  pois quando a lembramos
só nos fazem perder Tempo
Tempo e esquecimento,
Um lugar onde os relógios cantem somente os segundos do
Futuro, e o tempo restante
Para o próximo amor chegar

Um lugar onde amar não seja uma coisa do passado,
E viver, seja ser tão presente em tudo
Que poderei escolher numa única vida
O meu tempo em todos os futuros


FC





                         A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA

                                        Salvador Dali

Um comentário:

  1. Sensacional ! Lindo !! Realmente meu poeta, não perca mais seu Tempo....vai escrever...... 🌟🌟✨⭐️💫💫

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